
Meu nome é Giancarlo Marx e hoje eu vou falar sobre o tema: Paternidade e Acolhimento.
Em agosto, o calendário nos empurra para as celebrações do Dia dos Pais. Mas, enquanto as vitrines se enchem de presentes, eu quero te convidar a olhar para as ausências.
Para muitos, a palavra ‘pai’ não evoca proteção, referência, ensino, mas abandono. Não evoca cuidado, mas silêncio.
Na Bíblia, Deus apresenta-se de uma forma provocadora: Ele é o pai dos órfãos e juiz das viúvas.
Esta não é só uma descrição poética. É uma declaração política e social.
Se Deus se identifica como pai de quem não tem pai, Ele está afirmando que a Sua família se define pela necessidade, e não pela biologia.
Aprendemos a partir de uma teologia engajada, especialmente inspirada nos evangelhos, na epístola de Tiago e nas 3 epístolas de João, que a nossa fé só é verdadeira quando produz acolhimento.
É aí então que a paternidade de Deus se manifesta na terra. Através de nós.
Quando a igreja se torna um lugar onde o excluído encontra mesa, onde o marginalizado encontra nome e onde o solitário encontra irmãos, aí sim o nome de Deus é santificado. E Deus é conhecido como pai.
O Evangelho nos chama para combater a ‘orfandade social’.
Numa sociedade em que se descarta pessoas como se fossem objetos, os filhos de Deus operam na lógica da adoção: Ninguém é invisível. Ninguém é sobra. Ninguém é dispensável.