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A gente pensa que nunca vai acontecer com a gente, mas um dia acontece, e, quando acontece, deixa a gente atônito.
Eu estava descendo a Castro e Silva depois de sair do Mercado Central, isso ali perto de seis e meia. A rua estava até movimentada para um sábado, mas estava um tanto escura. Parei no sinal e dois meliantes se aproximaram do meu carro. Pensei: são pedintes. Mas foi ligeiro. Foram logo mostrando o revólver que tinham.
— Perdeu, perdeu! — o do revólver disse. O outro fez menção para eu sair do carro e eu obedeci. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Eles pegaram e saíram dirigindo rápido e eu fiquei na rua só olhando.
Depois foi que senti o que tinha acontecido. Minhas pernas começaram a tremer, o sangue a gelar, eu estava que não conseguia ficar de pé. Uma moça que ia passando foi que deu fé de mim e me acudiu. Foi um alívio. Contei para ela do ocorrido e ela disse: coitadinho! E me perguntou se precisava de ajuda, que podia ligar para a polícia para mim se eu arranjasse o celular. Obrigado, eu disse e entreguei o celular na mão dela. Menino, foi ligeiro. Mal ela pegou meu telefone, disparou e sumiu na esquina. Eu não tive reação. Quando processei que tinha sido assaltado duas vezes, uma depois da outra, foi demais. Comecei a chorar.